Seu cliente entrou em recuperação judicial. O problema começou muito antes da manchete.

Em 2025, o Brasil registrou o maior número de recuperações judiciais da história. Foram 2.466 empresas entrando em recuperação judicial em apenas um ano.

O dado divulgado pela Serasa Experian não representa apenas um recorde estatístico. Representa um alerta brutal para qualquer empresa que vende a prazo. Principalmente porque o cenário ficou ainda pior em setores dependentes de crédito, como o agronegócio, que teve alta superior a 56% nos pedidos de recuperação judicial.

O ponto mais perigoso dessa história é que muitas empresas ainda olham a recuperação judicial como um problema do cliente. Não é.

Quando um comprador entra em recuperação judicial, o problema imediatamente passa a ser do fornecedor também. Porque quem vendeu sem proteção vira credor do processo. E a partir daí começa a destruição silenciosa do caixa. O CFO descobre tarde demais que faturamento não significa liquidez.

Existe uma ilusão muito comum no mercado corporativo. A ideia de que inadimplência grave acontece apenas em crises econômicas explícitas. Mas o cenário atual prova exatamente o contrário.

Não existe recessão oficialmente declarada. Mesmo assim, as empresas estão quebrando em ritmo recorde. O motivo é simples. O custo do dinheiro está sufocando operações inteiras.

Empresas altamente dependentes de crédito estão operando pressionadas por juros elevados, crédito restrito, aumento de prazo médio de recebimento e dificuldade de capital de giro. O problema é que boa parte dos fornecedores continua analisando clientes olhando apenas balanço, histórico comercial ou relacionamento.

Enquanto isso, o risco real já está crescendo dentro da carteira de recebíveis. E quase sempre os sinais aparecem antes da recuperação judicial.

  • Atrasos recorrentes.
  • Pedidos de alongamento.
  • Redução abrupta de compras.
  • Troca constante de bancos.
  • Aumento do prazo solicitado.
  • Dificuldade de aprovação de crédito.


O problema é que muitas empresas ignoram esses sinais porque ainda confundem relacionamento comercial com risco controlado. Não confundem até o pedido de recuperação aparecer.

Quando isso acontece, normalmente já é tarde. O fornecedor entra na fila de credores tentando recuperar parte do que vendeu. E em muitos casos passa anos aguardando valores que jamais retornarão integralmente ao caixa. É exatamente aqui que entra o seguro de crédito como ferramenta de gestão financeira e não apenas como apólice securitária.

O seguro de crédito protege operações contra insolvência protegida, incluindo recuperação judicial. Mas o ponto mais estratégico vai muito além da indenização. As seguradoras monitoram continuamente a saúde financeira dos compradores.

Isso permite identificar deterioração de risco antes do colapso. Na prática, o CFO deixa de operar no escuro. Passa a ter inteligência sobre concentração de risco, exposição por cliente e sinais antecipados de deterioração financeira.

Isso muda completamente a forma de expandir vendas a prazo. Porque crescimento sem controle de risco não é expansão. É alavancagem desprotegida. Muitas empresas hoje estão aumentando faturamento enquanto deterioram silenciosamente a qualidade da carteira.

E isso normalmente só aparece quando o caixa começa a sofrer. O mercado mudou. A inadimplência corporativa deixou de ser exceção.

E a recuperação judicial deixou de ser um evento distante. Ela está mais próxima da operação das empresas do que muitos imaginam. A pergunta não é mais se existe risco dentro da carteira de clientes.

A pergunta é: sua empresa sabe exatamente onde ele está?

Silvio Rodrigues
Cofundador Duas Torres