Não é “se”. É “quando”: o risco cibernético e o papel do seguro na continuidade das empresas

O recente envolvimento do BTG Pactual em notícias relacionadas a incidentes cibernéticos reforça uma realidade que o mercado ainda reluta em encarar com a devida maturidade: o risco cibernético deixou de ser uma hipótese e passou a ser uma inevitabilidade operacional.

Durante anos, empresas investiram corretamente em infraestrutura tecnológica, sistemas de proteção, firewalls e protocolos de segurança. No entanto, a evolução dos ataques cibernéticos acontece em uma velocidade superior à capacidade de prevenção absoluta.

Isso nos leva a uma mudança de paradigma essencial na gestão de riscos: será a sua capacidade de resposta.

A pergunta não é mais se sua empresa será atacada. A pergunta é quando isso ocorrerá e qual será a sua capacidade de resposta.

O verdadeiro problema não é o ataque. É o impacto.

Grande parte das organizações ainda enxerga o risco cibernético sob a ótica exclusivamente tecnológica. Esse é um erro crítico.

O ataque em si é apenas o gatilho.

O que realmente compromete a sobrevivência da empresa são seus desdobramentos:

  • interrupção das operações (business interruption)
  • perda de receita imediata
  • custos de restauração de sistemas e dados
  • despesas com especialistas forenses e resposta ao incidente
  • exposição e vazamento de dados sensíveis
  • danos reputacionais
  • responsabilizações legais e regulatórias
  • aplicação de multas e sanções

Em muitos casos, o impacto financeiro agregado supera, em poucos dias, anos de lucro operacional.

O limite da tecnologia e o papel do seguro

É fundamental compreender que tecnologia reduz risco  mas não elimina risco.

Por mais robusta que seja a estrutura de segurança da informação, ela não é infalível. E é exatamente nesse ponto que o seguro cibernético assume um papel estratégico dentro da gestão corporativa.

Diferente da prevenção, o seguro atua na capacidade de absorção e recuperação do impacto.

Entre os principais pilares de uma apólice bem estruturada, destacam-se:

  • cobertura para perdas financeiras decorrentes da paralisação
  • custeio de resposta a incidentes (forense, jurídico, comunicação)
  • gestão de crise e mitigação de danos reputacionais
  • cobertura para responsabilidades perante terceiros
  • apoio em eventos de extorsão cibernética (ransomware)

Ou seja, o seguro não substitui a segurança.

Ele complementa a estratégia, protegendo o que a tecnologia não consegue garantir: a continuidade financeira do negócio.

Risco assumido ou risco gerido?

Ainda é comum observar empresas que, mesmo cientes da exposição, optam por não estruturar proteção securitária adequada.

Na prática, isso significa uma decisão silenciosa:

assumir integralmente um risco potencialmente catastrófico.

Em um ambiente onde ataques são cada vez mais frequentes, sofisticados e direcionados, essa escolha deixa de ser apenas uma questão financeira e passa a ser uma questão de governança.

Conclusão: maturidade em gestão de riscos

Casos envolvendo grandes instituições não devem ser vistos como exceções  mas, como sinais claros do ambiente em que todas as empresas estão inseridas.

O risco cibernético hoje é democrático:

atinge grandes, médias e pequenas empresas, independentemente do setor.

A diferença não está em evitar o evento a qualquer custo.

Está em:

  • reconhecer a exposição
  • quantificar o impacto
  • estruturar mecanismos de resposta
  • e proteger financeiramente a continuidade da operação

Na prática, empresas maduras não são aquelas que acreditam estar protegidas contra ataques.

São aquelas que entendem que eles são inevitáveis e ainda assim, estão preparadas para atravessá-los.

Silvio Rodrigues

Cofundador Duas Torres