Existe uma distorção silenciosa na forma como empresas lidam com risco de crédito e ela começa com uma ideia amplamente aceita: a provisão para devedores duvidosos como ferramenta de prudência.
Mas vamos tratar isso com a franqueza que o tema exige.
Provisão não é controle.
Provisão é aproximação.
Ao classificar parte da sua carteira como “duvidosa”, a empresa está, na prática, admitindo três coisas críticas:
- Não sabe exatamente quem não vai pagar
- Não sabe quando o default vai ocorrer
- E não consegue mensurar com precisão o impacto real no caixa
Ainda assim, um número é definido.
O balanço fecha.
E a sensação de controle é preservada.
Só que essa sensação é, muitas vezes, ilusória.
A inadimplência real não se comporta como médias históricas.
Ela é assimétrica, concentrada e, em cenários de estresse, brutal.
É por isso que empresas não quebram por falta de lucro quebram por ruptura de caixa.
E poucas variáveis são tão destrutivas para o caixa quanto a inadimplência inesperada.
Aqui está o ponto-chave:
Provisão é, essencialmente, a formalização de uma incerteza.
Ela organiza o problema no papel, mas não reduz o risco estrutural da operação.
E quando uma empresa aceita conviver com essa incerteza, ela está consciente ou inconscientemente aceitando que perdas fazem parte do modelo.
Mais do que isso:
aceitando que essas perdas não serão totalmente controladas.
Existe, no entanto, uma mudança de abordagem possível e necessária.
A lógica deixa de ser estimar perdas…
e passa a ser redefinir quem carrega o risco.
É aqui que o seguro de crédito entra como instrumento estratégico, e não apenas como proteção financeira.
Ele transforma um risco aberto em um risco delimitado.
Permite que a empresa:
- Estabeleça limites claros de exposição por cliente
- Expanda vendas com base em análise qualificada de crédito
- Proteja o fluxo de caixa contra eventos de inadimplência relevantes
- E principalmente, substitua incerteza por previsibilidade
Não se trata de “melhorar o balanço”.
Trata-se de mudar a qualidade da informação que sustenta as decisões de crescimento.
Empresas que amadurecem nessa agenda param de discutir apenas “quanto provisionar” e passam a discutir quanto risco faz sentido reter.
E essa é uma mudança sutil mas decisiva.
Porque, no final, a questão não é contábil.
É estratégica.
Você está gerindo o risco de crédito…
ou apenas registrando suas possíveis perdas com antecedência?
Silvio Rodrigues
Cofundador Duas Torres





