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Crescer sem apostar

Existe uma diferença fundamental entre assumir riscos e fazer apostas.

Os dois conceitos costumam ser tratados como sinônimos, mas representam formas completamente distintas de tomar decisões.

Toda empresa que cresce assume riscos.

Nenhuma empresa consistente cresce fazendo apostas.

O risco pode ser estudado, dimensionado e administrado.

A aposta depende da expectativa de que o futuro confirme uma hipótese que ainda não foi suficientemente compreendida.

Essa diferença parece sutil.

Na prática, ela separa organizações que constroem valor daquelas que apenas alternam períodos de expansão e retração.


Decidir diante da incerteza

Toda decisão empresarial envolve algum grau de incerteza.

Nenhum executivo conhece integralmente o comportamento do mercado, dos concorrentes ou dos clientes.

Ainda assim, empresas precisam decidir diariamente.

O erro não está em decidir diante da incerteza.

O erro está em substituir análise por esperança.

Quando uma empresa aumenta sua capacidade produtiva sem compreender a demanda futura, ela está apostando.

Quando concede crédito sem conhecer adequadamente seu comprador, também está apostando.

Quando concentra grande parte do faturamento em poucos clientes acreditando que “sempre foi assim”, continua apostando.

Em todos esses casos existe uma característica comum:

A decisão foi tomada antes que o conhecimento fosse suficiente para sustentá-la.


Empresas maduras operam de maneira diferente

Elas compreendem que nunca eliminarão completamente a incerteza.

Mas podem reduzir significativamente aquilo que desconhecem antes de comprometer recursos.

Por isso:

  • investem em informação;
  • analisam cenários;
  • testam premissas;
  • diversificam exposições;
  • constroem alternativas;
  • criam mecanismos para limitar perdas caso determinada hipótese não se confirme.

Nada disso impede o crescimento.

Pelo contrário.

É justamente esse processo que permite crescer repetidamente.


Prudência não é falta de ambição

Existe um equívoco recorrente segundo o qual empresas prudentes seriam menos ambiciosas.

A realidade costuma demonstrar o contrário.

Organizações que preservam capacidade financeira, controlam concentrações e administram riscos conseguem aproveitar oportunidades que empresas excessivamente expostas são obrigadas a recusar.

Quem aposta muito perde liberdade.

Quem administra riscos preserva opções.

Essa talvez seja uma das formas mais valiosas de compreender o crescimento.

O objetivo não deve ser eliminar riscos.

Também não deve ser evitá-los.

O verdadeiro desafio consiste em construir um ambiente onde os riscos assumidos permaneçam proporcionais à capacidade da empresa de suportá-los.


Quando o seguro se transforma em inteligência

É nesse ponto que ferramentas de gestão deixam de representar apenas mecanismos de proteção.

Quando utilizado como instrumento de inteligência comercial, análise de compradores e apoio à expansão, o seguro de crédito reduz a necessidade de apostar.

Ele amplia a quantidade e a qualidade das informações disponíveis antes que decisões relevantes sejam tomadas.

Seu maior benefício não está apenas na cobertura financeira.

Está na melhoria do processo decisório.


O crescimento sustentável

No longo prazo, empresas vencedoras não são aquelas que acertam todas as previsões.

São aquelas que constroem sistemas capazes de continuar produzindo boas decisões mesmo quando o ambiente muda.

Crescimento sustentável não nasce da coragem para apostar.

Nasce da disciplina para decidir.

Essa disciplina transforma a incerteza em objeto de estudo, e não em motivo para paralisia.

Empresas que aprendem essa diferença deixam de depender da sorte.

Passam a depender da qualidade do próprio método.


Silvio Rodrigues
Cofundador | Duas Torres Seguros

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